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“As projeções indicam que, até o ano de 2050, o hidrogênio verde terá uma participação bastante importante na transição para energias renováveis”


Atualmente, o hidrogênio verde é um tema muito importante devido ao potencial que possui seu desenvolvimento e às oportunidades que surgirão nos próximos anos.

 

A Review Energy conversou com Jurandir Picanço, Presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis do Ceará - CSRenováveis/CE e Consultor, para saber seu ponto de vista sobre o assunto.

Atualmente o hidrogênio verde e visto como uma oportunidade de transição entre o uso de combustíveis fosseis e as energias renováveis. Você poderia nos explicar brevemente em que consiste o hidrogênio verde? 

 

Na busca pela descarbonizacão se identificou que alguns países não possuem fontes de energias renováveis suficientes para passar totalmente pela transição energética, logo um elemento que poderia ser vetor para essa mudança é o hidrogênio.

 

O hidrogênio é um elemento químico abundante na natureza e tem um conteúdo energético muito alto podendo ser produzido por diversos processos, mas o que é mais importante é que pode ser produzido a partir, exclusivamente, de energias renováveis; o que foi designado como hidrogênio verde.

O hidrogênio verde tem diversidade de aplicações; pode ser armazenado, transportado, convertido em energia elétrica e, transformado através de processos químicos em combustível que substitua produtos derivados de petróleo.  As projeções indicam que, até o ano de 2050, o hidrogênio verde terá uma participação bastante importante na transição para energias renováveis.  

Como você vê o potencial do Brasil como produtor de energia renovável e o futuro da transição energética no país?

 

O Brasil tem um potencial de energias renováveis altíssimo, a última projeção de plano nacional de energia estima que em 2050 toda demanda de energia do Brasil será muito inferior ao potencial do país em produzir energia renovável. Um potencial que é gigantesco em termos de energia solar, energia eólica, energia eólica offshore e, um detalhe importante em relação a esse potencial é que mais de 50% está no Nordeste. 

 

Na sua opinião qual impacto a implementação do hidrogênio verde e, em geral das energias renováveis, teria sobre o preço da energia paga no Brasil?

 

O efeito da produção de hidrogênio em relação ao preço da energia no Brasil será mínimo devido ao grande direcionamento para exportação. O mercado brasileiro ainda é incipiente e o hidrogênio verde ainda é mais custoso que outras fontes; logo, o desenvolvimento do mercado interno de hidrogênio verde será lento a menos que as políticas públicas direcionem esforços neste sentido.

 

No exterior essas políticas já estão determinadas, na Alemanha, por exemplo, há programas que já definiram uma utilização de 85 GW de hidrogênio verde, sendo que em seu território a capacidade de produção é de 40 GW, logo metade da necessidade de hidrogênio deverá ser importada. 

 

Segundo nossa experiência   a medida que o mercado se desenvolve e a tecnologia é aperfeiçoada os custos caem de uma forma muito contundente; é o que aconteceu com energia eólica no Brasil onde os primeiros projetos tinham custos elevadíssimos e, agora, a energia eólica é altamente competitiva.

 

Do ponto de vista regulatório, quais os desafios que o Brasil enfrenta para o desenvolvimento do tema do hidrogênio verde? 

 

Recentemente o Ministério de Minas e Energia apresentou ao Conselho Nacional de Política Energética uma proposta de diretrizes para elaboração de um Programa Nacional do Hidrogênio. Ou seja, ainda não existe um programa, somente as diretrizes para seu desenvolvimento; não há uma política estabelecendo prioridades, prazos ou penalizando formas de energia poluentes.

 

Evidentemente sendo o hidrogênio verde mais custoso serão necessárias políticas que privilegiem o uso de desta fonte em diversas atividades.

 

Para o senhor, quais setores quais setores seriam os maiores beneficiados pela implementação do hidrogênio verde no Brasil?

 

Primeiro toda a cadeia produtiva das energias renováveis. Hoje um projeto em estudo para implementação no estado de Ceará está relacionado ao Porto de Pecém. Esse porto possui certas qualidades que são realmente únicas, além de oferecer vantagens fiscais; a produção de hidrogênio nessa região oferece benefícios que não se encontram em outros locais. 

 

Este projeto de produção de hidrogênio em grande escala depende de energia renovável, então deverão ser implementados novos projetos de energias renováveis bastante grandes, que injetarão bilhões de dólares na economia. Quem vai tirar mais proveito disso? A cadeia produtiva de energias renováveis, já presente no Ceará incluindo grandes manufaturas.

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